terça-feira, 9 de junho de 2026

Pisco Sour, o sonho

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Quico

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Ventor e Quico

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Pilantras

É do meu cantinho que parto para as minhas caminhadas. Tenho em cima algumas janelas abertas por onde podem espreitar se estiverem interessados em dar uma olhada. Nas minhas caminhadas, desde o ano 2000 mais ou menos tive dois belíssimos ajudantes de campo, como o meu Quico e o meu Pilantras, dois gatos maravilhas, verdadeiros companheiros.


Vamos lá ...


Não havendo o Pisco Sour, com o calor que vem aí, qualquer cocktail serve

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Um dia, caminhava o Ventor nas margens do rio Jordão e encontrou vários homens a brincar com as pedras. Alinhavam e desalinhavam muros,

O Pisco Sour que não bebi

Nem imaginam o que eu passo com o Ventor. Agora anda a embirrar comigo!
Há tempos embirrou que queria fazer um pisco sour! Agora descobriu que há

No Dia da Terra andei perdido

É o 50º ano que se comemora este dia que devia ser do interesse de todos. Quando digo todos, é todos mesmo. Em 1970, estava eu em Lisboa no

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Uma Montaria na Serra de Soajo

 

Uma Montaria na Serra de Soajo


Pelos trilhos de uma montaria, na serra de Soajo

Pela serra de Soajo, nos trilhos que já foram dos lobos.

Todas as vezes que os lobos atacavam as ovelhas, as cabras, … e se mostravam junto às aldeias ou, pelo Inverno fora, eram vistas as suas pegadas na neve, os sentidos das gentes das aldeias era fazer uma “Montaria ao Lobo”.

Era um ódio colectivo, histérico mesmo, que se sentia por esse cão selvagem que, afinal, só fazia mal às pessoas quando lhes apanhava algum animal. Mas tinha sido essa outra “besta”, na qual eu me incluo, o homem, que originou o desequilíbrio. Fez desaparecer toda a cadeia de alimentação do lobo! Caçou o javali até à extinção, caçou a corça até à extinção, caçou os coelhos quase até os fazer desaparecer, caçou a raposa, extinguiu os matos, matou as cobras, pescou os peixes com venenos e petardos de trotil, quase extinguiu a ginete, a lontra, o gato selvagem, enfim toda a cadeia alimentar do lobo, directa ou indirectamente, foi levada até quase à extinção ou próxima a desaparecer.

A vida difícil do lobo ao frio e com fome

Assim, o lobo, cada vez mais, passou a virar-se para a caça aos animais domésticos, levando o homem por várias razões a travar uma luta permanente com ele. Eu também fui criado na mentalização do ódio ao lobo, movido pela experiência dos mais velhos. Mas enfim, eu era pequeno e ia fazer-se mais uma Montaria!

A Montaria iria ser uma festa e eu, com cerca de 10-11-12 anos, ia receber “carta de alforria” para participar nessa festa. Todo o homem com arma, partia para fazer gosto ao dedo e participar na grande caçada. Os que não tinham arma, gabavam-se dos seus varapaus! Estes eram de carvalho, de sobreiro, de castanheiro (matéria prima da casa) e, os mais sofisticados eram de lodo, comprado nas feiras dos Arcos ou da Barca, quase todos com uma argola de ferro na base, não fosse preciso ter de se dar umas cacetadas na cabeça dura do lobo, “bicho mau”!

Então, a fina-flor da freguesia de Soajo e arredores, partiam em festa para o grande cerco ao lobo e empurra-lo para o grande buraco do Fojo do Lobo, na Seida, onde seria morto. Todas as aldeias tinham os seus trilhos até ao encurralamento final nessa obra de arte, de séculos, preparada pelo homem, para caçar o lobo.

O lobo deve ser o animal mais odiado pelo homem

Normalmente, os de Soajo, subiam montanha acima, pelo Poulo dos Bicos até à Corga da Vagem e Fonte das Forcadas. Eram eles que varriam os montes de Bordença a fogo. Os de Adrão, onde eu me incluía, subíamos Férrea acima, Chãe do Boi, Fonte da Naia, Muranho. Alguns subiam pelo Alto do Lombo para aterrorizar qualquer lobo que se pudesse ter refugiado na Corga da Cerqueira e, depois se desviavam, nos sorreiros, onde nasce a minha GOTINHA, para o Muranho, Alto da Serrinha e alguns iam pelo caminho da Brusca até ao buraco do Fojo do Lobo. Os de Paradela, Cunhas e Várzea, seguiriam, normalmente, pelas minhas montanhas lindas até à Naia e desviavam-se para o caminho da Brusca. E mais à direita, no lado oposto, subiam os de Tibo, de Rouças e da Gavieira que trepavam pelas brandas dos rouceiros, pelos lados de S. Bento do Cando. Do lado oposto, viriam os de Curral Cova, Cabreiro, Sistelo.

Depois da grande caçada, encontrava-se tudo na Fonte das Forcadas ou na Corga da Vagem! Aí era o culminar da “grande” festa! Normalmente logo a partir da manhã já estavam todos bêbados, pois já subiam a serra com vários mata-bichos no bucho. Depois raro era aquele que se interessava pelas águas límpidas e geladas das nossas montanhas durante a Primavera, tempo das Montarias. Sem vinho não havia festa e o varapau ou a arma numa mão e o garrafão na outra, o burnal às costas e tudo seria à sério e não apenas para a foto! Aliás, penso que apenas os organizadores que a Câmara dos Arcos e não sei quem mais, levariam, além das armas, alguma máquina fotográfica porque dera-as Deus.

Muita daquela malta, tinha armas ou petardos e a fazer fogo com as armas ou a rebentar petardos, intimidavam o lobo, fazendo-o sair dos seus esconderijos e subir a serra. O lobo tinha bons esconderijos dentro das encostas que se dão pelo nome de Brusca e era até, um dos locais onde as lobas tinham os seus filhotes, os lobinhos. Era uma zona de grandes rochedos e matagal de urzes, alguns carvalhos velhos e retorcidos e pouco crescidos e outros matos. Nos locais mais verdes, uma espécie de vales em miniaturas, entre as rochas, haviam fetos maiores que um homem, e eu afirmo isso, porque passei lá algumas vezes. Era também uma zona de víboras, a tal cobra venenosa que há na Península Ibérica! Havia também um bom esconderijo na Corga da Cerqueira, do lado contrário virada para os montes de Bordença, coberta de um matagal denso de urzes e também do lado do Guidão.

Além dos tiros das armas de fogo e dos rebentamentos de petardos, haviam também alguns apologistas de grandes barulhos, usando para isso caixas de percussão, tal como o nosso João Casanova, um especialista na matéria. A caixa dele, bem repenicada ouvia-se em quase toda a serra de Soajo! Além disso, fazia parte da festa a algazarra de todos, que também queriam dar o ar da sua graça, gritando a bom gritar, fazendo jus dos seus pulmões e goelas, acreditando também que o lobo não ficaria em nenhum buraco.

Foi assim que a tal loba olhou para mim, mas aterrorizada

Na primeira montaria a que assisti, mataram três lobos. Vi-os expostos na fonte das Forcadas, para gáudio de todos e eu também senti um pouco desse gáudio pois sabia que aqueles não matariam mais cabras e ovelhas e outros animais, nem me apoquentariam nas minhas caminhadas serranas.

Na montaria que me marcou, teria 12-13 anos, eu e uns quantos, fomos pelo Muranho, e vi um lobo, fugido da Brusca, galgar as rochas a nosso lado e a olhar-nos com a mesma curiosidade que nós o olhávamos a ele. Esse lobo, olhou-me bem, olhos nos olhos, embora muito afastado, como a perguntar-me: “também tu, Ventor”?

Lá subiu, serra acima, direito ao alto da Serrinha, e nós, no mesmo caminho. Atravessamos o Alto da Serrinha até junto ao topo do muro que parte desde o Buraco do Fojo, em direcção à Fonte das Forcadas. Ao chegar ali, ouvimos petardos para o lado do Curral do Pai, talvez dos homens de Curral Cova ou Cabreiro e, direito a nós, um lobo que tinha atravessado a Corga das Forcadas, a grande velocidade. À sua frente, estava eu com a minha vara de castanheiro e 12 ou treze anos de altura de pelo! Os meus companheiros dirigiram-se para os buracos do muro para reforçarem a sua guarda. Eu fui descendo de vagar pois à minha esquerda, mas bem afastado, vinha o meu amigo Zé Ribeiro, que Deus tem em Sua guarda, um homem baixinho, quase do meu tamanho, mas tinha uma arma com ele! Era uma espingarda de carregar pela boca e o fulminante era feito de pólvora embrulhada em lixa de caixa de fósforos que o cão iria incendiar levando ao célebre tiro, sendo o chumbo feito por pequenos estilhaços de ferros de um pote velho despedaçado para o efeito.

Mais abaixo, também afastados, outros que se dirigiam para o muro com o fim de bloquear a saída dos lobos para o lado da Brusca, pelos locais derrubados.

Entre mim, o Zé Ribeiro e a ponta do muro, havia um espaço razoável e pensei que seria por ali que o lobo passaria.

Que este Fojo do Lobo, na serra de Soajo e todos os outros, não passem, no futuro, de um monumento nas nossas Montanhas Lindas

Que viva o lobo Ibérico!

O lobo vindo da corga das Forcadas, galgava tudo direito a mim. O ti Zé Ribeiro ainda estava bastante afastado e começou a correr para se aproximar. Fiquei sozinho com o lobo, frente a frente. Com a minha vara na mão e a gritar para o lobo, ele não me ligava e cheguei a pensar que ia saltar por cima de mim para o lado da Brusca, mas arrependeu-se, meteu os travões todos e voltou para trás, rumo à corga das Forcadas.

Os homens que vinham do Curral do Pai continuaram a estoirar os últimos petardos, o lobo retrocedeu e reinicia a corrida em minha direcção outra vez. Vinha em alta velocidade. Quando se aproximava de mim, o ti Zé Ribeiro, já mais perto, meteu a arma à cara e dispara. Os cacos de pote atingiram o lobo no lombo. Vi ele eriçar o pelo todo e mudar de direcção para dentro do Fojo do Lobo.

O lobo galga tudo à minha esquerda e eu galgo tudo à sua direita. Mais à frente iria ficar entre nós o grande Muro! Vamos direitos à ponta do grande muro e ele passa a correr por dentro e eu corro por fora. Até parecia que, ele e eu, conhecíamos as regras estipuladas pelos homens. Eu ainda vi o lobo umas duas vezes pelos buracos existentes nos muros mas devidamente ocupados por outros homens com armas ou varapaus, mas o fogo cerrado sobre aquele lobo era demais!

As armas dos guardas da floresta e dos guardas fiscais, penso que seriam Mausers, e muitas caçadeiras de outros atiradores cuspiam chumbo sobre o desgraçado do lobo e sobre a minha cabeça ouvia o som sibilante do ricochete das balas e dos zé-galotes nas rochas de granito. Eram zim, zim … zim-zins que nunca mais acabavam.

Eu continuei a fuga sempre junto ao muro. O lobo corria a toda a velocidade que podia e conseguiu chegar ao buraco camuflado com mato e, segundo me contaram, ter-se-à apercebido da armadilha tentando saltar, ficando pendurado no muro a tentar não cair para trás, para o buraco, mas sim procurando o impulso para o lado da Brusca. Foi aí que um tiro mortífero de meu pai abateu esse lobo. Por acaso era uma loba e tinha dentro da barriga 4 lobinhos! Essa loba há cerca de um ano antes desse dia fatídico para ela, tentara matar um poldro que a mãe protegia. Meu pai, sentado num local afastado, notou a égua muito nervosa levantando-se no ar e ameaçando algo. Levantou-se e viu o lobo a tentar afastar a cria da mãe. Colocou a arma à cara apontou e disparou sobre o lobo quase escondido no meio do feto. O lobo iniciou uma corrida direito ao rio da Várzea e passou junto a um homem que mais tarde, no mesmo dia, disse ao meu pai que o lobo a que ele deu o tiro não tinha rabo. O meu pai tinha atirado sobre um lobo com rabo e, no regresso, já ao anoitecer, passou pelo local e encontrou no meio do feto o rabo do lobo que trouxe e ofereceu a alguém para colocar na cabeçada de um cavalo. Penso que o ofereceu ao ti Manuel da Leira.

Cerca de um ano depois, meu pai teria terminado no buraco do Fojo do Lobo, o trabalho que começara na Chãe da Porca!

Nessa Montaria foram mortos dois lobos mais essa loba com os quatro lobinhos na barriga e eu estava muito insatisfeito com a satisfação de tão distintos caçadores de montaria. Foi um dia que me marcou para sempre! Fui a mais duas montarias e comecei a sentir que algo estava mal pelos trilhos das montanhas da minha serra! Desde essa altura que passei a ser um defensor dos lobos, nossos companheiros de caminhada.

Lamentei sempre que aquela loba não tivesse passado por mim, direita à Brusca.

Fojos do Lobo na serra de Soajo

Fojos do Lobo na serra de Soajo

  30.01.2021

A serra de Soajo tem vários fojos de lobo. Apresento aqui um, aquele em que obtive a alforria necessária para a caça ao lobo, em três montarias. Este é o fojo do lobo a que atribuímos vários nomes. O fojo do lobo da Seida, o fojo do lobo da Brusca, o fojo do lobo de Gorbelas, o fojo do lobo das Forcadas. Ele está enquadrado por estes nomes porque são os mais próximos. Um dos seus braços vem das redondezas do Poulo da Seida, o outro vem das proximidades da fonte das Forcadas. Gorbelas, porque a branda dos rouceiros está por trás do monte, á direita do buraco do fojo. A brusca são todos aqueles montes após o términos da Naia que vão até ao fojo. É o nosso fojo, na foto. Provavelmente o mais bem conservado e, não fosse a protecção ao lobo e bem, ainda permitiria algumas caçadas ou montarias. Penso também que será o melhor colocado estrategicamente para esta área da serra de Soajo.

O Fojo do lobo de que vos falo é este. Na junção dos dois muros, o buraco

Estes são os braços do fojo que se juntam no buraco. O da nossa esquerda desce de perto da fonte das Forcadas. O da direita vem da Seida

Do lado de cá do buraco do fojo fica a Brusca, nos meus velhos tempos, cheia de matos e fragas com buracos adequados a fazer de covil, local onde algumas lobas pariam. Em 1980, atravessei esse sítio com um puto de 9 anos, do buraco do fojo até ao Muranho e os fetos, em certos locais, eram mais altos do que eu. Fomos ter por baixo do Poulo do Muranho e ainda subimos para ir beber água à nossa mais bela nascente. Havia sítios que eu saltava, depois estendia os braços para o apanhar quando ele saltasse. A brusca era também um local de víboras. Não sei se elas terão resistido ao fogo de 2006 porque as cobras, atacadas pelos fumos perdem o tino e vão cair ou meter-se no meio do incêndio, como vi, quando puto, num fogo no Curral Coberto, entre a Assureira e Ramil, Cunhas.

Uma amostra de como eram os muros ou braços do fojo do lobo, nesta foto da nossa amiga Mónica Oliveira

Os muros, na sua face interior eram o mais perfeitos possível para os lobos não os escalarem e, na sua face exterior eram irregulares para permitir que os monteiros ou caçadores chegassem ao topo para visualizarem a posição dos lobos. Com os anos os muros foram sendo derrubados pelos pastores para que permitissem a passagem dos gados. Era nesses buracos dos muros derrubados que se instalavam as pessoas para que os lobos que entrassem no espaço entre os muros, rumo ao buraco não fossem capazes de sair.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Encosta do Muranho 3

 

Encosta do Muranho 3



Nas Montanhas Lindas do Ventor

Daqui para a frente é só Dragões. O Jack vé as paisagens e tenta não sujar muito a sua fatiota branca. Eu vejo as paisagens e tiro fotos e, o Luis, diz que logo que regressar a França não esquecerá mais a desgraça das nossas Montanhas Lindas. Mas nós sabemos que chegando lá acima, ficamos com a Pedrada frente ao nariz.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Subida à Pedrada, em Agosto de 2018

 Subida à Pedrada, em Agosto de 2018


Isso mesmo!

Subi à Pedrada com mais 9 amigos mas dos 19 km feitos, cerca de 14 foram feitos com um pé calçado e outro semi-descalço. Foi mesmo assim. Disse mal daa botas, insultei-as e bla-bla-bla mas, depois das contas feitas, o que concluo é que a minha bota salvou o meu pé. Se tivesse ido de sapatinhos de toilette ou de ténis, provavelmente, não teria a mesma sorte.

Rodopiei pela esquerda no poulo do Muranho, meti o pé num buraco do poulo e a minha bota deu um grande estoiro. Olhei para a bota e não acreditava. Os pontos deram um profundo ai. Ai que já me fui. E foi mesmo! A minha bota estava pronta a engolir tudo pelo lado esquerdo. Claro que fiquei desapontado! Dei um dinheirão por umas botas Timberland para me deixarem mal no Muranho. Ainda por cima, num poulo que é uma das belíssimas alcatifas do Ventor. Claro que se levasse uns sapatinhos de toilette ou uns ténis, não procederia com a mesma à vontade. Os cuidados seriam outros. Mas seria mesmo assim?

Para as minhas botas Timberland, tudo acabou no Muranho. Foi ali que se deu o ocaso com a torcidela que dei com o meu pé esquerdo

Entre dois pares de botas e uns ténis, decidi levar à Pedrada, pela 3ª vez, as minhas botas Timberland - as arranca-unhas! A primeira vez desci a Pedrada em direcção ao Fojo virado para o Mezio. Em descida acelerada e empurrado pelos ventos de Castro Laboreiro, sem utilizar travões, a não ser nos momentos forçados, puseram-me as unhas negras e subi o mais rápido que pude até à Corga da Vagem. Quando cheguei aos Arcos de Valdevez tinha quatro unhas negras, duas em cada pé Das quatro caíram-me duas, uma em cada pé, mais tarde. Da segunda vez que as levei à Pedrada fiquei com duas unhas negras, uma em cada pé, mas nenhuma caiu. A descida tinha sido mais suave.

Com a ajuda de dois valentes sapateiros improvisados, cheguei à Pedrada. Agora era necessário o retorno

Desta vez hesitei mas decidi levar as mesmas botas nesse caminho ideal para Timberlands. Era a terceira vez e ia à vontade mas estraguei tudo. Acho que foi por me sentir protegido. Nem todas as botas ou ténis me podem acompanhar à Pedrada. Só uns podem, os outros ficam para trás, a não ser que leve um par suplente pendurado no pescoço. E que falta me fizeram!

Estou a meio caminho entre a Pedrada e a Corga da Vagem

Aqui já o António Branco e o Joaquim de Barros me tinham reparado a bota com um pano de casaco velho e um arame encontrados no Alto da Pedrada. Foram dois belos sapateiros arranjados de improviso. Eu estava disposto a rasgar a camisa às tiras para fazer mais umas caminhadas curtas até os panos se rasgarem e devia ser assim até chegar ao Fojo da Cabrita. Quando os panos se rasgassem seriam substituídos por outros e assim sucessivamente.

Mais um pouco e desço para o Muranho

Também pensei em fazer uma bota com ramos de urzes e fetos mas faltava a giesta para fazer uma verga. Ainda não tinha aparecido o arame! Fosse como fosse, descalço é que não. Nunca me tinha acontecido algo semelhante e não pensem que, essas coisas, só acontecem aos outros. Todos estamos sujeitos a estas contingências.

A verdade é que elas me levaram a bom porto com a ajuda do António e do Joaquim

Foi difícil descer do Muranho, atravessar o planalto da Naia e descer, pela Portela, até ao Fojo da Cabrita com aquele sector central da bota a sair-me pelo calcanhar. Passei o tempo a empurra-lo para dentro. Para a frente não se chegava mas por trás estava sempre pronto a sair. Costuma-se dizer que quem vai ao mar apetrecha-se em terra. Botas penduradas ao pescoço não mas apetrechos para estas ocasiões, sim. Pelo menos para aqueles que não gostam de desistir.

Nossa Senhora da Peneda sempre velou pelo Ventor

O meu obrigado ao António Branco por querer trocar  a sua bota comigo, por serem do mesmo número e para me facilitar um pouco a vida, dividindo o mal pelas aldeias. Claro que se não houvesse aquelas alternativas eu estaria disposto a fazer o trajecto descalço. Teria de ser com muito jeitinho mas seria a primeira vez que caminharia nos trilhos da Pedrada, descalço e, do outro lado, existiria o sorriso matreiro de Nossa Senhora da Peneda a gozar comigo mas eu acho que Ela teve dó de mim e colocou o trapo e o arame na Pedrada para resolvermos a situação. Acredito que Ela sempre foi minha amiga.

Não! Não posso "executar" as botas Timberland. Vou mesmo comprar outras! Entretanto tenho por aqui outra marca (norueguesa) que farão o seu papel na devida altura. Mas fui bem de ténis à Assureira e não me dei nada mal. Veremos.

Pisco Sour, o sonho

Quico Ventor e Quico Pilantras É do meu cantinho que parto para as minhas caminhadas. Tenho em cima algumas janelas abertas por onde podem e...