Fojos do Lobo na serra de Soajo
30.01.2021
A serra
de Soajo tem vários fojos de lobo. Apresento aqui um, aquele em que obtive a
alforria necessária para a caça ao lobo, em três montarias. Este é o fojo do lobo a que atribuímos
vários nomes. O fojo do lobo da Seida, o fojo do lobo da Brusca, o fojo do lobo
de Gorbelas, o fojo do lobo das Forcadas. Ele está enquadrado por estes nomes
porque são os mais próximos. Um dos seus braços vem das redondezas do Poulo da
Seida, o outro vem das proximidades da fonte das Forcadas. Gorbelas,
porque a branda dos rouceiros está por trás do monte, á direita do buraco do
fojo. A brusca são todos aqueles montes após o términos da Naia que vão até
ao fojo. É o nosso fojo, na foto. Provavelmente o mais bem conservado e, não
fosse a protecção ao lobo e bem, ainda permitiria algumas caçadas ou montarias.
Penso também que será o melhor colocado estrategicamente para esta área da
serra de Soajo.
O Fojo do lobo de que vos falo é este. Na junção dos dois muros,
o buraco
Estes são os braços do fojo que se juntam no buraco. O da nossa
esquerda desce de perto da fonte das Forcadas. O da direita vem
da Seida
Do lado
de cá do buraco do fojo fica a Brusca, nos meus velhos tempos, cheia de matos e
fragas com buracos adequados a fazer de covil, local onde algumas lobas pariam.
Em 1980, atravessei esse sítio com um puto de 9 anos, do buraco do fojo até ao
Muranho e os fetos, em certos locais, eram mais altos do que eu. Fomos ter por
baixo do Poulo do Muranho e ainda subimos para ir beber água à nossa mais bela
nascente. Havia sítios que eu saltava, depois estendia os braços para o apanhar
quando ele saltasse. A brusca era também um local de víboras. Não sei se elas
terão resistido ao fogo de 2006 porque as cobras, atacadas pelos fumos perdem o
tino e vão cair ou meter-se no meio do incêndio, como vi, quando puto, num fogo
no Curral Coberto, entre a Assureira e Ramil, Cunhas.
Uma amostra de como eram os muros ou braços do fojo do lobo,
nesta foto da nossa amiga Mónica Oliveira
Os
muros, na sua face interior eram o mais perfeitos possível para os lobos não os
escalarem e, na sua face exterior eram irregulares para permitir que os
monteiros ou caçadores chegassem ao topo para visualizarem a posição dos lobos.
Com os anos os muros foram sendo derrubados pelos pastores para que permitissem
a passagem dos gados. Era nesses buracos dos muros derrubados que se
instalavam as pessoas para que os lobos que entrassem no espaço entre os muros,
rumo ao buraco não fossem capazes de sair.



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