segunda-feira, 1 de junho de 2026

Corças na serra de Soajo

 Corças na serra de Soajo


Este é o local - o poulo do Cabecinho, na foto em baixo.

Caminhando da Derrilheira para a Corga da Vagem, a nascente fica à direita, vi eu a corça a correr na minha direcção. Ela corria nesse poulo direita à corga da Vagem e eu do lado de cá de máquina na mão mas tinha sentido apenas num provável lobo que perseguiria a corsa. Só isso, pensava eu, originaria tal corrida. Espero, este ano, caminhar da Derrilheira em direcção do poulo do Cabecinho, caladinho que nem um rato e de máquina na mão. Por ali, com muita água por perto, todos os animais se safam. Pode ser que eu tenha sorte!

Corça como a do poulo do Cabecinho, na sua pelagem de verão - foto do site Pixabay

Nunca a vi nesta posição inicial, quando a vi já vinha em plena corrida. Não a fotografei porque, no seu rasto, eu procurava o lobo e, com um pouco de sorte, talvez fotografasse os dois.

Este macho (corço) tem os chifres a saírem para caminhar como um senhor. Ele é lindo na sua farda de verão - foto do site Pixabay

Uma corça vestida com a sua farda de inverno. No inverno a pelagem das corças é mais escura - foto do site pixabay

Aqui, no meio da foto, corre, da direita para a esquerda, a corga da vagem. Quando vi a corça, eu estava mais lá em baixo, mais perto da corga e ela corria na minha direção e da corga. Há especialistas que dizem que as corças, quando perseguidas pelos lobos se escondem debaixo de água. Não sei a verdade dessa afirmação mas, por ali, elas não terão água suficiente para se esconder. Seja como for, quando eu ainda olhava o poulo, esperando o lobo, a corça entrou no mato e eu nunca mais a vi.. Todas as vezes que eu me dirijo à nascente da corga da Vagem, desço, bato a encosta a clicks a ver se algo fica na foto e depois subo para a direita e, nem corças nem javalis.

Nada me garante que o lobo viesse atrás da corça e, dando por nós, se encostasse a uma rocha desistindo da caçada. A verdade é que tudo que apanhava desde o mato onde a corça entrou e o poulo a perder de vista, bati tudo a clicks mas não apanhei nada, nem a corsa.

Se tudo correr bem e eu voltar a pisar as minhas Montanhas Lindas, levo a esperança comigo.

Alto da Derrilheira - o Miradouro

 Alto da Derrilheira - o Miradouro


Este é o Alto da Derrilheira visto da Fonte da Naia. É preciso trepar muito para lá chegar

O Alto da Derrilheira é o monte mais alto que se vê de Adrão. Quando está nevado é, para mim, uma espécie do monte Fuji, no Japão.

A cruz que o Prof. Jorge Lage lá mandara colocar. Creio que para nós os quatro foi o primeiro e último dia que a vimos

As minhas caminhadas na serra de Soajo, levam-me sempre lá, àquele miradouro especial. De lá observamos o nosso berço de cima para baixo. Quando pelos anos fora eu subia à Pedrada, subia da Fonte do Muranho à Derrilheira ou, então, descia da Pedrada e ia ao Alto da Derrilheira para voltar a observar tudo. Depois inclinava-me para o Muranho ou descia o Alto da Derrilheira rumo à fonte da Naia, ou seguia pelo Alto do Lombo, rumo à Barreira. Normalmente subia e descia quase sempre pela Férrea.

Tenho um vídeo que fiz em 2017 e vou coloca-lo, para mostrar aos que não conhecem, como no Alto da Derrilheira estamos pertinho do céu. Os que conhecem já sabem como é.

Deste local vemos tudo em redor da Derrilheira. Do lado de cá, atrás das nossas costas fica o alto da Pedrada que quase não vemos, por estar tapado pela Serrinha e entre a Serrinha e a Pedrada fica a Corga da Vagem até às Forcadas

Haverá também aqueles que há muitos anos lá não vão e aqueles que jamais irão. Não sei se será o meu caso! Dizem que o destino marca a hora mas, também pode ser que o destino já tenha a hora marcada.

Serra de Soajo ...

 Serra de Soajo ...


... Pedrada, Outeiro Maior, Corga da Vagem, Fonte das Forcadas, Curral do Pai, Seida, Muranho, Naia, ... que mais?

São estes nomes que dão vida a uma das serras lindas do nosso país - a serra de Soajo. São só 1416 metros de altura mas são metros belos que me viram crescer. Eu cresci, caminhando pelos montes da Assureira, pelo Barroco, pela Centieira, pela Presa do Cabreiro, pela Chãe do Ruivo, pelo Gondomil, ... mas, sempre de olhos postos na Derrilheira.

 A primeira vez que me cheguei a estas pedras, na Naia, tive receio que o lobo me esperasse por ali

A Derrilheira é o pico mais alto que observamos de Adrão. Nesses tempos, eu pensava nessa etapa. Subir até ao Alto da Derrilheira. Para isso. teria de subir a primeira etapa - a Férrea. Não era fácil para um puto. Depois, com o andar do tempo, a Chãe do Boi, subir à Fonte da Naia, caminhar pela Naia, observar a Brusca e, através dela, lá longe, o Fojo do Lobo. Depois, com o andar do tempo, bebi água na Fonte do Muranho. Um dia, enchi-me de coragem e fui, só, à procura das minhas vacas. Subi do Muranho à Derrilheira, sentei-me numa pedra a observar Adrão e parte das suas lavouras. Nesse dia, senti-me no céu e senhor do Mundo.

A primeira vez que bebi água aqui, na fonte do Muranho, não havia nada destas "modernices"

Depois fui à Pedrada! Caminhei na Corga da Vagem e não dei com a fonte! Fui beber água à Fonte das Forcadas. Hoje, pelo menos, no mês de Agosto, não há lá fonte. Hoje sei bem onde fica a fonte da Corga da Vagem mesmo, quando não podemos lá beber água. Podemos fazer como as vacas e beber na Corga. A Corga da Vagem é a nascente mais alta do rio de Bordença.

A foto não diz nada sobre as belezas paisagísticas que observamos desde a Pedrada

Da terceira vez que fui à Pedrada, estava um dia de calor. Desci da Pedrada ao Curral do Pai e assisti a uma peripécia, aquilo a que eu chamo, um filme sem tela. O mais natural possível! Havia uma vaca que andava ao boi. A vaca era uma e os bois eram catorze. Uns velhadas e uns jovens. Sentei-me numa pedra a apreciar a luta, entre os bois, pela posse da vaca. Quando um saltava para cima da vaca, era logo atacado por outro e a vaca não era para nenhum. Numa determinada altura engalfinharam-se numa luta sem tréguas, uns com os outros, e um touro novato, achou que a luta não era com ele, aproveitou a zaragata, entre os outros e foi-se à vaca. Para mim, foi a única vez que assisti a uma guerra daquelas. Claro que nunca a esqueço mas nunca mais assisti a outra guerra igual.

Tudo isso faz parte do meu chavão - Montanhas Lindas.

Caminhar pelas minhas Montanhas Lindas

 

Caminhar pelas minhas Montanhas Lindas


Estou de olho nos abutres! Desta vez, vou tentar ter mais sorte se eles aparecerem. Pelo menos tento caminhar sempre com os olhos nos horizontes mais altos, com ou sem abutres e, se não conseguir pisar as carrascas e as carquejas, vou caminhando por aqui.

A olho aberto, no meio dos chascos, ou com o olho nas fotos, as minhas Montanhas Lindas, são sempre lindas. Até nós concorremos para a sua beleza. Vejam só!

Há sempre um hotel para pernoitar!

 

Em 2006 sobre cinzas, dois Luises, o Luis Perricho e o Luis Franqueira

E matar a sede?

Tudo serve! Como aqui, na nascente do Muranho. Água fresquinha, que o Jack nunca pensou que lhe passaria pelas beiças, como diria o seu pai que Deus tem.

O Jack sentado ao lado da nascente do Muranho, em Agosto de 2006

Ou então, levar uma garrafinha de vinho, como fez o Luis Perricho, em 2006, na nossa primeira caminhada à Pedrada. Em Agosto, não vá o diabo tecê-las e as nascentes estejam secas. No Muranho nunca terá acontecido mas, alguma vez pode ser a primeira. Por isso, eis a garrafa!

O Luis Perricho e o seu tesouro de vinho verde

Mas pode haver mais este ano. Pelo menos, eu assim o espero.

Para já, não se limitem a essas 3 fotos. Têm aqui em baixo mais 115 que, se estiverem dispostos a perder uns minutos e gostarem de ver fotos em slideshow, é só fazer clik e podem ir da Barreira ao Muranho como nós fizemos em 2009.

Vejam aqui 115 fotos e como são lindas as minhas Montanhas Lindas (Barreira-Muranho, em 2009).

Um Príncipe nas minhas Montanhas Lindas

Um Príncipe nas minhas Montanhas Lindas


Sempre com o passado!

Caminharmos de mãos dadas com o passado é continuarmos a viver!

Não é saudosismo, não!

Perguntei a uma amiga romena se os romenos não têm o instrumento da palavra "saudade"!

Disse-me que não tinham a palavra saudade mas partilham os mesmos sentimentos que ela transmite.

Recordamos, sentimos, choramos, ... Sim, existe em nós a vossa saudade, Ventor!

Um bezerro em Adrão 
Por isso, todos vivemos a saudade, mesmo que a palavra não exista nos respectivos léxicos.

No dia que fotografei este menino, em 28 de Agosto de 2006, ia morrendo na Assureira. Foi a saudade que me levou lá e foram os anjos que me levaram até ao bezerro, na Lama das Cruzes. Era lindo, por isso o deixo aqui para o olharem porque, ele, foi príncipe nas minhas Montanhas Lindas. 

Pisco Sour, o sonho

Quico Ventor e Quico Pilantras É do meu cantinho que parto para as minhas caminhadas. Tenho em cima algumas janelas abertas por onde podem e...